3 anos
Foram as águas de março que, ao fecharem o verão, trouxeram Rodrigo para pertinho de mim e hoje faz três anos que, de admiradores um do outro, nos tornamos namorados.
Apaixonar-se pela mesma pessoa constantemente por três anos é bem difÃcil. Há cada vez menos coisas a serem descobertas (principalmente qualidades) , cada vez menos tolerância com aquela velha mania de almoçar assistindo aos gols da rodada, cada vez menos surpresas. Mas imagino que talvez seja exatamente esse o segredo.
Se há menos a se descobrir, há muito mais intimidade. Já se conhece a cor, o som, o tom, o bom… Já se sabe fazer o dengo certo para trocar a pelada do sábado pelo cineminha e (quem sabe) até uma voltinha no shopping. Já se sabe que aquela ruguinha na testa não é nada que você fez, é só a nota de estatÃstica que está demorando para chegar. Já é possÃvel dizer que vai ao banheiro fazer xixi (ou cocô) sem ter de inventar aquele retoque na maquiagem.
Tá bom! É verdade que a tolerância vai diminuindo, principalmente com aquela mania terrÃvel de fingir que está prestando atenção quando você está indecisa entre aqueles dois esmaltes LIIIIIIIIIIIIIIIIIINDOS.
Mas é por essa falta de tolerância que se registraram as briguinhas mais gostosas e o conseqüente fim de discussão com aquele beijo bem demorado. Sem contar com aquelas juras mentirosas que sempre se adora ouvir:
- Vou melhorar.
É certo que há muito menos surpresas, mas, cá entre nós, nem toda surpresa é agradável. Além disso, deixam de ser surpresas se acontecem o tempo todo.
E nesse exato momento cada pequeno gesto é muito mais gostoso. Aquele telefonema no meio da tarde pra perguntar:
- Tá tudo bem?
Tem um gostinho todo especial. Não mais de conquista, mas de cuidado, de carinho, de amor… E de repente percebe-se que se apaixonou um pouco mais por aquele que já é o homem de sua vida.























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