“Tentar prever serviu pra eu me enganar”*.
Ai, ai! Fiz de novo! Mas eu juro que é sem querer! Aliás, vocês sabem que é sem querer! Quem, em sã consciência, iria manter um blog para propositalmente deixá-lo desatualizado??
Mas não foi só da net que eu estive off durante esses meses. Dei um tempo para pensar. Respirar! As coisas andam acontecendo muito rápido e às vezes (só às vezes) eu lembro que estou envelhecendo.
Não sei se todo mundo é assim, mas eu sempre gostei de fazer projeções de como serei no futuro e isso não é um hábito novo, de modo que, desde muito pequena eu ficava imaginando como estaria aos 15 anos, aos 20, aos 30…
A verdade é que nunca fui muito boa nessas estimativas e errei todas as minhas previsões!
A princípio, isso não causa muito desconforto, porque, afinal de contas, quem fica realmente triste por chegar aos 15 anos e não conseguir namorar um roqueiro bem punk ou não sair na capa da Capricho?
Mas, com o passar do tempo, as expectativa são outras, os projetos são mais significativos e, à medida que as coisas não vão acontecendo como esperávamos, começam a aparecer feridas na nossa alma. Umas são superficiais, tipo a que tive quando percebi que só economizando dinheiro de mesada seria impossível comprar um carro zero antes dos 20 anos. Outras, bem profundas como todos os planos que fiz quando tive meu primeiro namoro sério e vi esse relacionamento ir por água a baixo junto com meus sonhos, planos, projetos, meu chão. E também existem aquelas feridas que são uma verdadeira facada no ego, exatamente como quando percebi que não iria ser uma grande teórica que mudaria os rumos da educação no país.
Não sou do tipo Poliana. Sabe aquela menina que sempre via o lado bom das coisas?? Pra falar a verdade, eu chego a ter certa aversão a esse personagem. Gosto de encarar os fatos como eles são: bons quando são bons e ruins quando são ruins. Mas aprendi (de umas feridas prá cá) a ter fé!
Saber que os planos não saíram como planejados, só não causa grande dor quando se tem fé em planos melhores.
Quando eu me vejo hoje e percebo que estou muito distante de onde imaginava estar aos 29, reconheço que bate uma tristeza, mas olhando direitinho, é possível ver que tantos outros planos foram arquitetados por Deus na minha vida, planos que nem precisaram de mim para serem elaborados e são muito maiores e melhores do que eu sonhava.
Aliás, acabo agradecendo à vida por ser tão imprevisível.
Nunca namorei um roqueiro bem punk, mas tenho hoje um noivo com o qual não sonhei e que, por incrível que pareça, se encaixa perfeitamente com a ideia que sempre tive de “o homem dos meus sonhos”. Não realizei os planos que fiz com meu primeiro namorado, mas estou organizando minha festa de casamento (segundo meus planos, com alguns anos de atraso KKKK) e ela está se tornando um grande sonho realizado. Trabalho com ensino fundamental, exatamente o oposto do que pretendia, e descobri que sou realizada profissionalmente. Quanto ao carro zero… bem, vou dando minhas voltinhas com o carro do meu noivo, afinal, ainda preciso do dinheiro do meu para pagar o casamento!
* Título retirado da música Retrato pra Iaiá da banda Los Hermanos
























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